Adeli Sell*
Segundo alguns, sua história chegaria a mais mil anos, quando seu objetivo principal era ajudar nas caminhadas. Com o tempo, seu uso tornou-se tradição entre cavalheiros nobres e de alto escalão, símbolo de solidez e importância de uma pessoa respeitada.
Posteriormente se tornou popular na Europa e era seu uso percebido como elemento importante do traje. No Brasil, quando olhamos fotografias antigas a vemos com frequência.
Flores da Cunha é visto com uma bengala em vários fotos suas.
Pois um amigo me presenteou com uma bengala das várias que arrematava em leilões. Sabia que era sério, quando me disse ter sido do Flores, mas mesmo assim fui atrás de comprovações. Eis que encontro Flores da Cunha com este distintivo. Numa das fotos na descida da Ladeira ela fica tão visível e precisa que não tem erro: tenho a bengala de Flores da Cunha.
Na atualidade não é comum usar bengalas como elemento de “traje”, mas volta a ser mais comum seu uso com pessoas de mais idade, para segurança e conforto ao andar em nossas calçadas e ruas. Ou seja, volta a seu uso primeiro.
Cada vez que estudo mais os temas relacionados com a idade, com o transcurso do tempo, com a longevidade vem à tona o problema das quedas. Pois, então, não faltará muito tempo para eu usá-la. Mas garanto que a deixarei com o Museu Júlio de Castilhos em registro de meu testamento.
*ADELI SELL é professor, escritor e bacharel em Direito.