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Porto do Melo: Um raso plano sem conteúdo

O Estado vivencia um caos a partir das enchentes. A dificuldade e o desafio é fazer com que as cidades se reergam. Com isso, a responsabilidade para pensar e executar as melhores e mais rápidas alternativas é de cada município. Afinal, ninguém melhor que um prefeito para conhecer a sua própria cidade. 

Pensando nisso, cobramos há semanas do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, um plano de recuperação da cidade. Elencamos diversos pontos, desde um diagnóstico até um plano efetivo de ação, contemplando diversas áreas, como a habitação, saúde, educação e assistência social, 

Solicitamos que fosse apresentado aos vereadores e à população, um plano que nos desse condições de visualizar uma estrutura organizada e detalhada para esta desafiadora tarefa. Nos colocamos à disposição inclusive, para auxiliar e participar de grupos de trabalho, afinal, o que menos importa neste momento, são nossas siglas partidárias e o que mais nos interessa é ajudar as pessoas, a cidade, a economia e o bem estar dos porto-alegrenses. Evidentemente que a oposição não foi convidada para nada. Mas, o plano de recuperação foi divulgado. 

Num primeiro momento, senti um alívio ao saber que o plano seria apresentado. Pois bem, meu alívio se tornou frustração rapidamente, uma vez que tudo o que vi ali foi “o mais do mesmo”. Números relacionados às perdas, dados sobre problemas causados pelas águas, mas, não vi nada sobre as etapas da reconstrução. Nenhum cronograma que aponte o que será feito em curto, médio ou longo prazo. 

Um plano raso, sem metas, tarefas, atribuições de atividades, sem a clareza de onde os recursos serão buscados ou aqueles já recebidos serão aplicados. Me parece um diário da destruição o que foi apresentado, não um plano de ação efetivo, claro, com diretrizes, ideias, prazos. 

O prefeito reclama nas mídias próprias ou de veículos de comunicação sobre falta de recursos, pede ao Lula apoio financeiro para comprar ou construir casas. O Governo Federal já deixou claro que não faltarão recursos, casas e apoio. A Câmara de Vereadores aprovou pedidos para contratação de empréstimos. Aprovamos o Bônus Moradia, um projeto de minha autoria e que foi readequado à nova realidade da cidade. 

Ou seja, existe boa vontade em ajudar o prefeito, muito embora ele não tenha a credibilidade necessária para ser ajudado. Afinal, reserva nos cofres do DMAE mais de R$ 400 milhões que deveriam ter sido aplicados em obras de drenagem, manutenção de bombas, diques e outras obras que teriam ajudado a minimizar o impacto da enchente e o  pouco que faz, é através de auxílios federais, os quais ele não expõe qual é a fonte dos valores, afinal, difícil admitir que um presidente de esquerda visitou três vezes um estado com dificuldades, se comprometeu em não deixar faltar nada, enquanto um presidente de extrema direita, passeia de jet ski em momentos de crise. 

Por fim,faço aqui um apelo ao prefeito Sebastião Melo, reveja o conceito de plano de recuperação, seja claro, não raso e não esqueça de incluir no Sistema Integrado de Informações Sobre Desastres (S2iD) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, os dados necessários para acessar mais recursos federais. Recursos estes que não deixaremos ser engavetados e cobraremos a rápida destinação dele para os fins que são destinados: obras de construção e reconstrução de infraestrutura, como sistemas de drenagem e proteção contra enchentes

 

Adeli Sell é professor, escritor, bacharel em Direito e vereador.