Adeli Sell
Chega de tratar arroio como valão. Quando o DEP (Departamento de Esgotos Pluviais) existia, houve uma campanha educativa nas escolas, em que cada criança sabia o que era um arroio, que não se podia jogar lixo nele, que tinha que ser limpo, para que as águas corressem e se evitasse enchentes. Isto foi há mais de 20 anos.
O Arroio do Salso está demarcado no Plano Diretor como um Parque Natural e tem 15 km de extensão. Não é um valão, é um volumoso arroio que começa nas Nascentes do Bairro Lomba do Pinheiro e atravessa os bairros Restinga, Hípica, Chapéu do Sol, Aberta dos Morros, Serraria e Ponta Grossa.
O Arroio do Salso recebe águas de mais de 20 outros pequenos arroios e até de volumosos, como o Rincão, que vem do Belém Velho.
Com o crescimento desordenado da capital, habitações irregulares foram feitas no seu entorno, matas foram cortadas de forma irregular, como foram autorizados loteamentos com duvidosa licença, gerando processos na Justiça até hoje.
A culpa é de alguns prefeitos, secretários e até da Câmara, que "autorizou" o que não poderia ter sido feito. Se houvesse preocupação com a vida e a segurança das pessoas, nada disso teria acontecido.
Enquanto nossos olhos se voltavam para as enchentes e desastres ao Norte, na Zona Sul, não só em maio deste ano, mas com frequência há alagamentos, ruas intransitáveis, perdas.
Faz 13 anos que o DMLU não realiza o trabalho de limpeza de ponta a ponta do Arroio. Enquanto o Dilúvio é dragado, o Salso é esquecido, e o povo sofre as consequências.
O governo anterior perdeu mais de 120 milhões de reais por não ter apresentado projeto de limpeza dos Arroios, entre eles o Salso. No atual, havia 430 milhões no caixa do DMAE e nada foi feito.
Estão aí os infortúnios da cidade.
A população tem reclamado, mas o governo dá as costas para o povo. Não pode ficar assim. Surge, com força, um movimento pela DRAGAGEM IMEDIATA DO ARROIO DO SALSO.
A própria imprensa local tem se omitido diante dos clamores do povo. Mas não ficará assim, pois o Arroio do Salso não é um valão. Existem pessoas que sofrem pela falta de ações do governo.
Vai ter luta!
Adeli Sell é professor, escritor, bacharel em Direito e vereador.