ARTIGOS


Lourenço Cazarré

Ao folhear e ler Exercícios espirituais para insônia e incerteza, de Lourenço Cazarré, pelo IEL - Instituto Estadual do Livro - com um Prefácio muito importante do Geraldo Hesse não me contive e mandei um whatsapp para a diretora de então do IEL, Laís Chaffe.

         Primeiro para voltar a parabenizar sua gestão eficiente, também para trocar algumas ideias.

         Ela me relatou que entre 2011 e 2014, o IEL publicou 41 livros, entre eles doze e-books (seis para baixar gratuitamente, sendo que um é áudio-livro acessível no formato MecDaisy, beneficiando o público com deficiência visual).

         E entre eles este livro; contista pelotense que li nos 80.

         Também me veio outra pergunta que já fiz ao professor Sérgius Gonzaga: por que houve um boom de escritores nos 70 e 80 no Sul e no resto do país.

         Há dias provoquei pelo Facebook para saber quem havia lido o Dalton Trevisan.

         Fiquei surpreso que só os sessentões o conheciam.

         Tem algo errado com nosso país. Quando falo de jovens escritores locais as pessoas ficam me olhando com cara de paisagem.

         O jornalista prefaciador lembra dos nossos contistas e faz boas provocações e nos empurra para a leitura do Lourenço Cazarré.

         Cazarré brinca em algumas passagens com palavras ditas difíceis: verdolenga, comissura, varapau, gastrópode, etc. Estas sempre bem postas.

         Em 12 contos e 110 páginas, Cazarré traz ambientações familiares como elas são: líquidas, complexas, desconexas e, às vezes, nada a ver. Há certa recorrência com muitas relações se país e filhos e avós.

         Há muitas descobertas com os personagens em especial os narradores que tomam o condão das breves mas densas tramas.

         O autor trata de humilhações e submissões, uma queda pelo mito de Sisifo/a repetição do fazer absurdo, mas que pode brotar algum feixe de luz para o conhecimento.

         Será que ainda veremos neste primeiro quarto de século uma retomada de nossa literatura?

 

Adeli Sell, professor e escritor