ARTIGOS


Porto Alegre é seus eternos intendentes

Margaret Marchiori Bakos, professora e profícua pesquisadora,  há mais de duas décadas nos apresenta um quadro preciso de 40 anos de castilhismo continuista na administração da capital com apenas 3 intendentes/prefeitos: José Montaury, Otávio Rocha e Alberto Bins.
Bakos apreende bem a ideologia positivista do castilhismo que se apresenta como o saber na direção pública, continuísmo, máquina para alinhar o capitalismo nascente.
Ficamos sabendo que a capital como apontaram outros cronistas do século anterior contínua suja, sem saneamento e com amontoamento de seres humanos vivendo em habitações precárias e vielas imundas.
Pela política tributária vemos que os governantes e a maioria do parlamento castilhista tiveram posições em zig-zag, que ao contrário do discurso de integrar o proletariado acabavam por deixar em suas costas o ônus da alta tributação que era passada ao povo nos altos e escorchantes aluguéis. 
Bakos faz uma ligação muito correta com os dilemas de então que ainda permanecem.
A autora instiga estudos a partir de 1937 com o advento do Estado Novo para chegarmos aos dias atuais, nos quais os problemas de habitação/precariedade ainda são dramáticos 
Um tema bem exaurido foi sua explicação dos empréstimos e as dívidas/ juros decorrentes. Tema cujo discurso não muda com o tempo.
Bom debate para os 250 anos de Porto Alegre em 2022.
 
 
Adeli Sell, professor e escritor