ARTIGOS


A MOCIDADE DO PARTHEON LITTERÁRIO

Benedito Saldanha lançou no ano de 2003, pela Editora Alcance, o livro “A mocidade do Parthenon Litterário”, escrito assim como era grafado esta importante instituição de nossa cultura nos seus primórdios.

Saldanha vai ao “Começo” de tudo: 18 de junho de 1968, mostrando muito do que se fez durante os seus primeiros 18 anos de existência.

Houve retomadas bem mais recentes, inclusive pela determinação do autor que acabou sendo ceifado pela Covid em 2020, quanto a entidade tinha voltado a ter algumas de suas ações.

Lembra-nos do “salão vastíssimo” da Sociedade Musical firmeza e Esperança onde foi fundado do Partenon Literário, com a presença do Bispo Dom Sebastião Laranjeira, que dá nome a uma rua fechada no entorno do Palácio Piratini e a Praça defronte o Colégio Rosário.

Ao longo dos pequenos textos que compõe a obra, Saldanha vai listando membros da entidade, inclusive algumas disputas e dissidências.

Lembra dos tempos da capital de então, com a “cadeirinha, carregada por escravos, para levar alguma “dama da sociedade” ou o transporte da “machamomba”, “bonde”, puxado por burros.

Corretamente sinaliza o papel submisso das mulheres, trancadas em suas casas, saindo apenas para festas religiosas e civis.

O Partenon era mais do que uma entidade literária, dando destaque á educação, ao ensino noturno e às bibliotecas.

Trata da Biblioteca de mais de 6 mil livros, algo importante para os dias de então, como da Revista Mensal.

Saldanha sinaliza que não se sabe onde foram parar aqueles livros.

O Regionalismo foi um dos temas muito caros a estes jovens, esta Mocidade do Partenon. Cita os autores e as obras que tratavam com afinco este tema, destaque o quando a Guerra dos Farrapos era tida como um grito de liberdade do nosso povo.

A Mocidade, segundo o autor, adere um tanto que tardiamente ao Romantismo que fora um momento importante em nossa Literatura.

Toca na presença das mulheres, dando uma poesia da poetisa Amália

Figueiroa e falas de Luciana de Abreu, em postura claramente feminista.

Saldanha faz relato da luta por uma sede própria nunca alcançada, inclusive da presença da Princesa Isabel onde seria sua sede na região Leste.

Ainda vamos conhecer um pouco do embrionário teatro na cidade, mas se nota que o mesmo estava longe de ser o teatro que temos em nossas mentes.

Assim como os jovens do Partenon eram defensores dos farrapos, como alguns textos seus bem o demonstram, eram no geral republicanos, mas havia imperiais como o combativo jornalista Koseritz.

Por esta razão a maior parte aderiu ao governo de Júlio de Castilhos, mas gerou logo em seguida várias dissidências como a do líder maior Apolinário Porto Alegre, perseguido por Castilhos, tendo fugir para o Uruguai, mas também Venâncio Aires, Barros Cassal, Ramiro Barcelos, entre outros. Também alguns foram expulsos como Câncio Gomes e até Múcio Teixeira que depois voltou ao grupo, sendo este um dos poucos que começou republicando tendo depois se voltado á defesa do Império.

Lembramos o papel deste grupo na luta contra a escravidão, fazendo campanhas de fundos para pagar a alforria, bem como a busca de formação de um Museu.

Foram grandes os esforços do Partenon nas aulas noturnas que realizavam em suas sedes.

Finalmente, Saldanha faz uma lista de algumas das personalidades que formaram o Partenon Literário.

O Partenon Literário foi um marco em nossa cultura. E foi uma lástima a perda prematura do autor desta obra, Benedito Saldanha, que vinha num esforço de retomar um pouco das luzes que nos foram deixadas por esta entidade.

 

 

Adeli Sell é escritor, professor e bacharel em Direito.