ARTIGOS


Lobo da Costa e os Farrapos

Foi jornalista, poeta, boêmio contumaz – na verdade era um alcoólatra - e um ser errante.  Pelotense, e Francisco Lobo da Costa, falecido e achado morto numa manhã fria, em Pelotas, depois de ter fugido no dia anterior da Santa Casa, num valo, quase nu, enregelado, segundo Achyiles Porto Alegre. Lobo da Costa circulou por Porto Alegre e outros lugares nesta curta vida. Nasceu em 1853 e morreu em 1888.

Para lembrar o poeta errante, podemos ler:

 

SIMPLICIDADE

Duas crianças brincavam

Saltando pela janela,

E vendo vir duas vacas

À outra disse uma delas:

 

"Vês aquela vaca branca!

É a que dá leite Zezé."

- "E a preta?" Pergunta o outro.

- "A preta...dá o café."

 

Era um poeta por essência, simples, como se vê pela toada acima.

Mas aqui vamos falar de um poemeto seu chamado OS FARRPOS ou a Revolução de 1835 no Rio Grande do Sul.

A Escola Superior de Teologia – EST – lançou em 1985 um livreto com o poemeto, com apresentação e ensaio critico de Carlos A. Baumgarten.

Este poema épico chegou a nós pela cópia manuscrita feita pelo historiador Jose Artur Montenegro. Montenegro encontrou o poemeto escrito a lápis, datado de 1888, ano de sua morte.

É uma obra romântica que romantiza a Guerra dos Farrapos, pelo menos nisto é realista, pois foi uma “guerra” não uma “revolução”.

“Os arsenais da Coorte estão em bulha,

Cruza a ronda servil pelas quebradas

E faíscam as pontas das espadas

Nas sujas mãos das pérfidas patrulhas”

 

E nesta toada é sempre o vigor de seu escrito:

 

Feitoria do Império simplesmente,

Em vez de respeitada nos seus brios,

Para a corte era um antro de vadios

Esta província nobre e tão valente

 

Para um poemeto épico não é longo, de apenas 27 paginas do livro.

Comparados com seus poemas em geral é de algumas boas tiradas mas de qualidade inferior.

Vale a leitura, se feito com um olhar para aquele passado, o ânimo do poeta, sendo que ele nasceu 8 anos após o armistício e escreveu o poema 43 anos depois deste.

 

 

 

 Adeli Sell, professor escritor