ARTIGOS


Chimangos e maragatos

Em 2014, a Editora Pradense lança “Chimangos e Maragatos”, de Moacyr Flores, conhecido historiador nosso.

Em 93 páginas, o autor nos situa na conjuntura política, dando um quadro da sociedade rio-grandense, traçando a ordem constituída, o processo eleitoral (longe daquele criado há 90 anos pelo Dr. Maurício Cardoso), a fraude corria frouxa e era a tônica, as forças beligerantes, as lutas, bem como o que ele chama de Armistício e Pacificação.

De pronto o autor nos dá um quadro do papel do jornal A Federação da facção castilhista.

Flores é um dos poucos autores que se refere a jornalistas e escritores que são apagados da historiografia oficial. Ele cita o jornalista e escritor Roque Callage e seu “O Drama das Coxilhas”, dizendo que este considerava que em 1923 houve uma revolta do povo contra o poder usurpador.

Flores dá o devido papel aos anarquistas e à fundação do Partido Comunista, quase sempre ausentes quando se a História do Rio Grande do Sul.                                                                                     A fraude eleitoral é mostrada com todas as letras. O relato do festival gastronômico com as pompas incríveis que foi feito na Confeitaria Rocco em Porto Alegre, para a eleição fraudulento de Borges de Medeiros, dando o nome, a presença e os discursos dos borgistas é algo de se anotar. Era uma afronta. Era um deboche.

Na guerra de 1923 temos uma noção do que mudou em relação a 1893 que foi o uso de nascente aviação.

Na página 52 temos o caso das denúncias contra Firmino de Paula, chimango, e as degolas praticadas por ele, quando quase sempre se falam nas degolas feitas por maragatos. Como não omite a morte de Adão Latorre, maragato, que foi um degolador.

Sem entrar em outros eventos que seriam dignos de nota, aqui se trata de mostrar que temos um texto sem passionalismos, tentando mostrar o que aconteceu de fato entre estas duas facções à época dos eventos narrados.

É um livro a ler e refletir, como já sinalizei em outro escrito o texto de Sérgio da Costa Franco: A Guerra Civil de 1893.

 

 

Adeli Sell, professor e escritor