ARTIGOS


A herança do irmão Joaquim – Histórias da Santa Casa

Reli para pesquisas este livreto do Walter Spalding de 1984 pela Redactor.

Eu sempre li e leio o que o historiador Spalding escreveu, mesmo não gostando de seu estilo e discordar dele em muitos pontos. Porém, reconheço que ele sempre tem dados e aponta fontes.

Walter Spalding traça um roteiro de sua fundação pela graça do Irmão Joaquim Francisco do Livramento, figura impar da luta pela implantação das Santas Casas e outras obras de benemerência.

A busca de dados o levaram aos que primeiro se preocuparam com a saúde das pessoas, em especial dos desvalidos, José Antônio da Silva do “armazém” Nabo as Doze, da negra Angela Reiuna, que tocava um asilo na Rua Pecados Capitais, o que chamou a atenção do religioso.

Alguns elementos do livreto se bem analisados nos ajudam a entender a cidade como os dados de um censo de 1814, 11 anos depois da fundação da Casa.

Porto Alegre tinha, conforme censo de 1814, 6.111 habitantes, sendo 2.246 brancos, 2.312 escravos, 588 “livres de todas as cores”, 34 indígenas e 431 crianças recém-nascidas.

Ou seja, negros eram escravos; livre eram brancos e negros, pelo jeito; não distinguiam a cor das crianças.

Anote o numero muito pequeno de indígenas.

Mas quando o historiador analisa a relação do jornalista Archymnedes Fortini, então provedor, erra grosseiramente.

. Na página 41 da edição da Redactor fala do “advogado e jornalista”. Advogado? Não tem um lugar algum de sua biografia que ele tenha sido “advogado”, pois foi jornalista por 60 anos no Correio, estenógrafo, professor na área do Comércio, benemérito etc. Fala que assumiu a Provedora em 1943, tendo ficado na função por seis anos. Fala que ele renunciou por divergência com a Irmandade. Com a Irmandade não foi por certo. Houve divergência com uma ou outra pessoa. Fala do sucessor como um modernizador na administração. Pode até ter sido, vai além colocando o jornalista Nilo Ruschel como divulgador de uma cruzada por verbas. Até aí tudo bem. Mas a grande injustiça é quando diz que “com isso foram apressadas as obras do Hospital da Criança Santo Antônio. Nada a ver, porque foi exatamente ao contrário, foi Archymdes por ser devoto de Santo Antônio que se jogou de corpo e alma neste projeto.

Um dado importante é quando fala da passagem do Marques de Alegrete mostrando um aspecto vingativo dele quando não conseguiu impor que os presos do Exercito, o seu Hospital Militar, usasse as enfermarias.

Foi até condescendente com aquele governador que veio com D. João VI ao país e com ele voltou.

Acerta quando ele diz que atrasou em pelo menos 10 anos a construção de nossa Santa Casa.

A narrativa da inauguração é importante, quando fala do papel do governador de então, o médico Visconde de São Leopoldo.

 

 

Adeli Sell, professor e escritor