ARTIGOS


A catedral de Porto Alegre

Em 1956, sob os auspicie da Catedral Metropolitana foi publicado um livreto “A Catedral de Porto Alegre”, feita pelo Mons. Dr. João Maria Balem, que foi o grande coordenador das obras de feitura de nossa Catedral.

Iniciada como ele conta por algumas ideias já em 1916, cuja pedra fundamental foi colocada no dia 07 de agosto de 1921, com benção e discurso do bispo Dom João Becker.

O Monsenhor Balem que era membro do Instituto Histórico e Geográfico faz um bom relado do início da construção da capela na Rua da Praia, onde seria o Banco Safra na atualidade. Era uma singela capela que durou alguns anos ali, sendo que em 26 de março de 1772, quando o Bispo criava a Freguesia do Porto De São Francisco dos Casais, erigindo em Matriz a capelinha de São Francisco. O orago foi mudado em seguida para Nossa Senhora Madre de Deus, por portaria de 18 de janeiro de 1773. Mas somente em 1779 começaram os preparativos para a Igreja Matriz no topo do morro, por isso passou a ser a Rua da Igreja, hoje Duque de Caxias, no mesmo local onde temos hoje nossa Catedral metropolitana, que durou até 1930, quando passam as missas a serem tidas na parte já da nova Igreja.

Um dos dados mais importantes de seu relato é o trabalho de indígenas na feitura de tijolos, como no corte de madeira, já que fala do dinheiro arrecadado para comprar carne para eles, dados que nunca vira antes em local algum. Fica claro no relato o uso de mão de obra escrava então.

Não fica claro, na verdade, Balem omite as razões que o Projeto da nova Catedral que foi feita por concurso público, participando 19 projetos. O vencedor foi obra de arte do arquiteto basco Jesus Maria Corona, aqui radicado. Sua proposta vencedora era de uma Catedral Gótica, mas o mesmo Balem fala de sua busca de um modelo clássico, Renascentista, trazendo a planta de João Batista Giovanele, que já fizera obras de cunho religioso em Roma.

Na verdade Jesus Maria Corona era tido como ateu e anarquista segundo alguns relatos, por isso sua obra foi preterida. Desgostoso voltou à Espanha, mas seu filho Fernando Corona aqui ficou nos legando obras históricas da maior importância, como o filho deste também foi arquiteto na capital.

Balem nos fala do estilo, dá detalhes sobre sua arquitetura e obra em geral, que tem uma valia muito grande, como as razões para a presença das “cabeças indígenas”, oito ao todo.

Relata de onde vinham as pedras, como eram trazidas, cortadas etc. Inacreditável para um olhar menos atento dos dias de hoje.

Um dos relatos mais importantes é sobre a dificuldade de angariar fundos para a feitura da mesma, suas crises e críticas.

Destaco a proposta que foi feita pelo jornalista do Correio do Povo, devoto de Santo Antônio, grande articular de obras coimo esta e da Santa Casa: Archymedes Fortini.

            Diz ele:

            (...) sr. Archymedes Fortini lançou a feliz ideia do alistamento de 10.000 legionários que se comprometessem a auxiliar as obras com a importância de Cr.$ 1.000,00 cada um, paga em prestações mensais. De 1928 a 1946 todas as famílias da capital receberam a visita de uma comissão, presidida pro Mons. José de Nadal, convidando-as para se inscreverem na Legião (...)”

            11.187 foram os inscritos. Mais uma ideia vitoriosa do velho Fortini.

            Do relato de 1956 até 1991 quando ela foi efetivamente concluída foi quase mais meio século.

            Bom de ler, bom de saber.

 

 

Adeli Sell, professor e escritor