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As "sorpresas" de Chico Pedro, as astúcias de Moringue: Francisco Pedro de Abreu, o Barão do Jacuí

Pouco se fala, pouco se sabe, tudo parece que foi feito para esconder uma das personagens mais destacadas na defesa de Porto Alegre quando ela por longos 4 anos ficou sitiada pelos farrapos.
Quem botou o dedo na ferida sobre este "esquecimento" foi Sérgio da Costa Franco ao escrever ``Porto Alegre sitiada ``, numa edição da Editora da Cidade.
Para mim que estudo, pesquiso a histórira  da cidade, era um apelido escondido na memória por em algum momento ter lido alguma coisa: Moringue. E nada mais. Mas eis que existiu um tal de Chico Pedro!
Descubro o livro de José Iran Ribeiro, da Oikos, que li de tocada.
Ribeiro deixa claro que não está escrevendo uma biografia, mas fazendo uma série de apontamentos da vida deste controverso personagem que subiu meteoricamente na hierarquia militar imperial, vindo do mundo civil, como seus quatro irmãos, de uma família de comerciantes portugueses.
Já havia anotado ao falar de nomes de ruas da cidade e falado nas mídias que ele não é lembrado com nome de rua ou monumento na capital que ele  foi, sem dúvida,  o maior defensor, enquanto isso os quatro generais que nos atacaram - Bento Gonçalves, Antônio de Souza Netto (General Netto), Davi Canabarro e João Antônio da Silveira - tem nomes gravados e monumentos, como Garibaldi, Onofre Pires e Gomes Jardim.
Mas dele nada: nem Moringue, nem Chico Pedro, nem Francisco Pedro de Abreu, nem Barão do Jacuí.
Já um general que ele chegou a elogiar e depois criticar nas suas Memórias. o  General Andrade Neves/Barão do Triunfo tem duas ruas a lhe homenagear.
Temos a obrigação de verificar o que mais se passou com ele e outros aspectos esquecidos e apagados no levante farroupilha. Estudar as razões  e por que motivos fomos leais ao império na capital, por que a população defendeu a cidade e venceu, apesar da superioridade militar farroupilha.
Creio que José Iran Ribeiro nos dá algumas pistas sobre o esquecimento, o ostracismo de Chico Pedro,pois não vinha da tradição e da hierarquia familiar-militar, tinha e queria autonomia, estava com o Império porque acreditou no momento, depois saiu a campo, enriqueceu, criou inimizades com algumas "califórnias" nas fronteiras com o Uruguai. Não se acomodou nem se submeteu às ordens imperiais e seus comandantes, ficou de "fora", apesar de ter vivido 80 anos.
Espero que outros voltem ao tema.

 

 

Adeli Sell, professor e escritor.