ARTIGOS


Gente do meu bairro

ACésar Veiga, morador e amante da Tristeza, professor de química e outras coisas mais nos apresenta o seu Bairro: Tristeza, com "Gente do Meu Bairro.

São crônicas em 176 páginas. O livro foi produzido e editado pelo Roberto Prym da Editora Bestiário.

Conheci o autor pela Fan Page "Tempos Bons na Tristeza", onde seus escritos sobre o Bairro e pessoas me chamaram a atenção.

Livro recentemente lançado. Em fevereiro de 2022, está disponível no site do editor. Em breve chega às livrarias.

O prefácio é bem explicativo do que leremos, feito pelo professor e poeta Diego Petrarca.

ACésar dividiu o livro em 4 partes: Personas, Histórias, Lugares e Meandros do meu passado.

O livro e sua leitura são atrativos. Vale a pena ler. Ainda mais neste ano em que nossa capital comemora seus 250 anos.

Não entendi e vou perguntar ao autor em um papo que farei na Fan Page "Porto Alegre 250 anos" por que ele para, de quando em quando, sua narrativa para colocar: Obs: (Observação).

Será seu estilo? Até porque só num ou noutro caso talvez uma notinha de rodapé se pediria.

O autor deixa claro seu foco que são as pessoas, mesmo quando fala de lugares e nos Meandros de sua vida, quando fala do pai.

As pessoas - personas -  são aquilo mesmo,  daqueles tempos passados, pois ACésar tem 66 anos.

É da minha geração. Vivemos as reúnas- reuniões dançantes - aqueles armazéns, vendas de secos e molhados etc, os encontros para matar o tempo, tempos da nascente TV de poucos programas e que Internet nem era ficção científica.

Quando fala das gincanas aparece a cedência de uma linha telefônica o que deve parecer inimaginável a um jovem atual daquele bairro aprazível, no qual tudo existe. Lembra das trocas de gibis até no cemitério. Sim, a Tristeza tem o seu Cemitério da Liberal. Lembra dos três colégios: Santos Dumont, Padre Reus e 3 de Outubro, duas personalidades importantes e o dia do início da Revolução de 1930.

Tem coisas incríveis que ACésar nos conta como o machismo dos homens e ainda certa submissão feminina, o que nos faz rir dos chistes e ditos, como aqueles do Poeta Operário.

Ou um do próprio autor quando se refere ao Geraldão e seus cumprimento gauchesco: "uma obra de arte regional digna de um Cerque de Soleil".

Ficamos sabendo do Cine Gioconda, na verdade uma grande casa de espetáculos, à qual iam pessoas do Centro de trem. O autor diz que este não conheceu.  Sim, o trenzinho da Tristeza parou em 1959, 6 anos antes de ele nascer.

Lembro que, às vezes, fala-se da Vila Assunção e Vila Conceição como "entes" da Tristeza, isto porque já pertenceram à Tristeza. Hoje são bairros muito pequenos por sinal. 

ACésar - não dá para esquecer - conheceu uma deusa no Bairro. Sim: Sandra Bréa. Morou  ali poucos anos. E tem nome de rua na capital.  Imagino o frisson que ela causava quando ia à padaria.

Sinceramente espero que o autor siga sua trilha e produza uma História do Bairro. Temos até agora com densidade apenas Tristeza E Padre Reus, de Hilda Flores.