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FERNANDO GOMES – UM MESTRE NO SÉCULO XIX

Fernando Ferreira Gomes viveu intensamente seus 66 anos de vida. Bisavó de Célia Ribeiro, a conhecida jornalista, que nos lega um roteiro de sua atividade como professor e um tanto de nossa História da segunda metade do século XIX, com o livro lançado em 2007, pela L&PM: Fernando Gomes – um mestre no século XIX.

Seu Colégio Gomes na Rua Duque de Caxias, na velha Rua da Igreja, quase no lado oposto do Solar dos Câmara, próximo da nossa Catedral, foi a referência para a geração de estudantes da segunda metade do século XIX.

Na Rua Duque de Caxias e entorno se concentravam as nascentes escolas privadas, sendo a mais importante o Colégio Gomes, nas quais os jovens de todo o Estado eram trazidos para estudar e dali ir ao Rio, São Paulo e Recife estudar Medicina ou Direito.

Seu Colégio era do Fundamental até o Ensino Médio, nos termos atuais, mas só para rapazes.

Passaram pelo louvado professor figuras importantes de nossa História, como Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Assis Brasil entre outros tantos.

Célia Ribeiro apanha bem a sua História como a época e suas posições políticas e filosóficas quando nos remete a seu pai do biografado, seu círculo familiar, suas relações no Rio de Janeiro, onde fora estudar, sob auspícios de um padrinho, já que seu pai falecera quando Fernando era muito jovem.

Libertário como seu pai, mas mais contido. Spenceriano antes de tudo, crente na ciência, sendo fácil sua adesão à filosofia de Augusto Comte. E isto fica claro numa carta de seu aluno Carlos Maximiliano.

Nunca escreveu ao que se saiba, Célia não fala também, num modelo de ensino, mas se sabe das suas anotações, passando a ideia de que sua convicção era ensinar, passar conhecimento. Além disso, diferente de outros “mestres” nunca adotou castigos físicos, pelo contrário, pelo que se lê e que ficou em vários escritos e cartas de seus alunos era de uma profunda empatia com a juventude e seus alunos.

Célia nota que não “obrigou” as filhas como a maioria de então fazia que estas fossem à Escola Normal.

Traça um bom retrato de sues três filhos, em especial do filho que foi ser médico, sem esquecer-se da Yayá, sai avó, cuja trajetória de exímia doceira a própria Célia imortalizou num livro de receitas.


 

Adeli Sell, professor e escritor