ARTIGOS


A morte em Veneza

Li, agora , em uma edição da RBS/Globo, numa tradução que regista Morte em Veneza; enquanto no original é A (Der) Morte em Veneza.

E isto não é firula, porque se trata de A MORTE do personagem, o escritor Gustav Aschenbach, de Munique, em férias naquele espaço de praias.

Aschenbach mostra uma certa angústia e cansaço "precisando" de algo novo, aprazível. E decide tirar férias.

Não entramos em análises de cunho psicológico do autor, de possíveis aspectos autobiográficos. Thomas Mann vai conduzindo seu personagem com apresentação de detalhes e de dicas, antevisão do que vem pela frente. Texto curto e preciso, burilado como uma joia. Tudo se encaixa.

O escritor, passa por alguns episódios que o leitor deve dar atenção: o gondoleiro que o conduz; o velho vestido como jovem no meio de um grupo de jovens.

Aschenbach acha ridículo aquele senhor e ao final parece se ver velho e inadequado e ate ridículo como aquele quando vai em busca de Tadzio por todos os lugares.

Tadzio é um jovem polonês com uma beleza de um deus grego que ele encontra.

Ali tudo começa a ser mostrado, em detalhes, a sua busca pelo belo como fazia em sua literatura.

Tadzio é seu ponto de apoio naquele espaço que ele vê e sente carregado.

Aquele ar e calor como os maus odores vão indicando o seu estranhamento e os perigos por vir.Sabemos depois que era a peste, o cólera que era escondida dos turistas.

Aschenbach fica minutos, horas e dias com o "objeto" de seu desejo: Tadzio. Aos poucos reconhece sua paixão e seu amor, ao expressar: "eu te amo" para si.

Aschenbach não toca nem fala com o seu Deus da beleza. As descrições minuciosas do jovem de 14 anos são, repetindo, como os detalhes de uma obra de arte.

Aschenbach entra num parafuso e decide partir. Mas o destino faz com que suas malas sejam perdidas, e ele decide voltar. E assim vem a sua Morte!

Há um magnifico filme no qual temos não um escritor, mas um músico em que se mostra a tintura do seu cabelo descendo pela palidez do rosto. Por isso, não é fortuito o velho (fora do lugar) no meio dos jovens descrito antes.

Há múltiplas leituras não só da obra em seu todo, mas cada momento traz estas possibilidades.

Thomas Mann ganhou mais tarde o Prêmio Nobel.

Destacaria suas obras monumentais: A montanha mágica e Os Budenbrooks.

A mãe de Thomas Mann, só para lembrar, era brasileira. Passou alguns anos exilado nos EUA. Seu irmão Heinrich também foi escritor importante.

 

 

Adeli Sell, escritor e professor.