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Netto perde a alma - como Tabajara Ruas imaginou o homem que proclamou a República Rio-grandense!

Li a 3a. edição ( 2005) , da Record. Neste livro o autor imagina a figura e a trajetória de Antônio de Souza Netto. Ele mesmo deixa claro que não se trata de uma biografia, mas de um sonho de como viu o homem que radical contra o Império e qualquer ditador, tinha o seu Exército, seus trezentos lanceiros, republicano, contra a sinonímia do escravismo, mas tinha lá os seus que, na sua fala, eram homens livres que o seguiram.

Tabajara fez um filme homônimo, estrelado por Werner Schünemann (2001). O filme recebeu vários prêmios, como o seu romance foi muito elogiado e comentado.

O general farroupilha está a merecer uma Biografia, por mais importância que se possa dar ao filme e ao livro de Tabajara.

Ele como outras ilustres figuras de nossa História é retratado como um homem belicoso, sempre visto em guerras sem fim, mas generoso com os adversários. Mas sempre também pronto para acabar com a vida de homens do mal, como sabemos que existiram às pencas e ainda existem, aqueles que criaram e cultivam a Banalidade do Mal, como é descrito Ramirez, morto com sua ajuda, pelo sargento negro Caldeira, como o médico francês Fointenebleux, o carniceiro do hospital.

O autor deixa claro a repugnância e desprezo que tinha pelo General David Canabarro e os tipos de sua laia. Doutro modo mostra o livro a sua grandeza ao debater com Osorio, seu adversário imperial na Guerra Farroupilha, nas conversas com Garibaldi.

A forma escolhida por Tabajara como o seu conteúdo narratório é marcante, pois nos leva adiante na história como retrocede nela para criar um ambiente daqueles tempos e para construir a figura do general guerreiro, repetindo, dando forma e conteúdo à sua personalidade.

Um livro para se ler, um filme para se ver, bem como aponto aqui uma personagem a ser biografada.

 

Adeli Sell, professor, escritor e Bacharel em Direito